[PORTUGUÉS:]
Sou luthier há cerca de 13 anos, especializado em instrumentos de cordas elétricos de corpo maciço com designs originais usando madeira de reaproveitamento.
Este é um dos meus violinos elétricos feitos à mão; vamos começar pelas características básicas!
Ele utiliza meu projeto original de ponte regulável, que permite ajustar a altura das cordas (e a “inclinação” geral entre o lado agudo e o lado grave) com suas rodinhas. Por isso, você pode facilmente experimentar e definir exatamente o que for melhor para o seu estilo de tocar.
Ele também possui cravelhas com engrenagem que se parecem com as tradicionais de madeira, mas permitem um ajuste fino sem a necessidade de afinadores adicionais no cordal.
Sempre achei o som da maioria dos violinos elétricos muito fino e com um tom “áspero”, faltando mais ressonância do corpo da madeira. Por isso, em vez de um captador montado na ponte, instalo o meu *dentro* do corpo, próximo à ponte. Aos meus ouvidos, isso proporciona um bom equilíbrio sonoro. O pequeno escudo na parte traseira é onde o captador fica alojado, por isso foi projetado para permitir manutenção, caso isso seja desejado ou necessário.
O violino vem com um buffer piezoelétrico externo. O que é isso e qual é a sua importância? É só um circuito simples que modifica a impedância do captador para que ele funcione bem com amplificadores comuns, em vez de precisar de um tipo muito específico. O buffer fica alojado em uma pequena caixa de madeira feita à mão e funciona com uma bateria de 9 volts (que dura bastante tempo).
O fato de ser externo significa que não é preciso sobrecarregar o próprio violino com um compartimento para bateria e elimina a adição de peso ao instrumento, já que, afinal, você não pode apoiar o violino no chão como um violoncelista enquanto toca!
O acessório grande na parte traseira abriga o conector de saída, mas sua principal função é permitir o uso de uma espaleira própria para violino. Não posso garantir que todos os modelos sejam compatíveis, mas ele se encaixa em um Kun Bravo e, espero, em muitos outros modelos ajustáveis.
Quanto às madeiras:
O corpo e as “orelhas” das cravelhos foram feitos a partir de uma mesinha lateral descartada que encontrei em Miami em 2014; ela estava coberta por espessas camadas de verniz em gel, tinta spray e epóxi que tive que remover, mas, como você pode ver, isso revelou uma madeira dura escura linda com veios impressionantes. Não reconheço a espécie, mas é resistente o suficiente sem ser muito pesada e tem uma boa dureza.
O braço é um “sanduíche” de três peças, com as peças externas cortadas da mesma tábua; depois, uma delas foi virada ao contrário antes de unir tudo; essa técnica ajuda a aumentar a estabilidade do braço, já que qualquer tendência da madeira de empenar é neutralizada pela outra metade virada ao contrário, que passa a tender a trabalhar na direção oposta.
A peça central do braço é de bordo recuperado de uma mesa de centro descartada em Massachusetts, enquanto as peças externas parecem ser de mogno, provenientes de um pequeno estoque de madeira que um amigo do estado da Virgínia nos Estados Unidos me doou quando um parente dele que fabricava rifles com esse material faleceu. Por isso, sempre fico feliz ao pensar que essa madeira ia se tornar uma arma, mas, em vez disso, agora vai produzir música!
Observe que, ao esculpir o bordo, surgiram algumas manchas escuras na madeira. São marcas naturais e puramente estéticas (não afetam a resistência nem a suavidade ao toque), mas quero garantir que você saiba que elas estão lá!
A escala é feita de uma madeira chamada katalox, que não só é muito mais sustentável que o ébano, como também é, na verdade, um pouco mais dura e dimensionalmente mais estável.
A queixeira e o cordal foram esculpidos a partir de um pedaço de mangueira que consegui durante uma visita a um centro de construção sustentável em Costa Rica.
Sei que parece besteira, mas gosto de pensar que tudo isso, de alguma forma, significa que o violino está repleto de histórias para contar — de onde veio e o que já foi antes —; repleto de música a ser revelada por uma musicista ou um músico.
Também tenho um anúncio para um instrumento “irmão” deste aqui, que fiz com as mesmas madeiras. Os veios do corpo são bem diferentes, então talvez você queira dar uma olhada e ver qual deles você mais gosta!
Sou novo no Brasil (cresci nos EUA e depois morei na Alemanha por um tempo) e estou tentando dar os primeiros passos na fabricação de instrumentos por aqui. Obrigado por dar uma olhada no meu trabalho!
*****
[ENGLISH:]
I'm a luthier who has specialized for about 13 years now in solidbody electric string instruments, with an emphasis on original designs using reclaimed wood.
This is one of my hand-crafted electric violins; let's start with the basic features!
It uses my original adjustable bridge design, which allows you to tweak the height of the strings (and the overall "tilt" between treble side and bass side) with those little thumb wheels. So you can easily experiment and dial in exactly what feels best for your playing style.
It also has geared tuning pegs, which look like traditional wooden ones but allow for fine tuning without additional fine tuners on the tailpiece.
I have always found the sound of most electric violins too thin and "sandpaper-y", in need of more woody body resonance. So rather than a bridge-mounted pickup, I install mine *in* the body, near the bridge. To my ears, this achieves a good sonic balance. The small coverplate on the back is where the pickup is housed, so it is designed to be serviceable in case that is ever desired or needed.
The violin comes with an outboard piezo buffer. What's that and why should you care? It's just a simple circuit that modifies the pickup's impedance so it will play nicely with normal amplifiers instead of needing a very specific kind. The buffer is housed in a small handmade wooden box, and runs on a 9 volt battery (which lasts a long time).
Making it outboard means not having to clutter up the violin itself with a battery compartment, and eliminates adding additional weight into the instrument, since you don't get to rest this thing on the ground like a cellist while you play, after all!
The large attachment on the back houses the output jack, but its main function is to allow for the use of a typical violin shoulder rest. I can't guarantee that every model of shoulder rest will fit, but it fits a Kun Bravo, and hopefully many other adjustable ones.
As far as the woods go:
The body and pegbox "ears" are made from a discarded side table I found in Miami in 2014; it was covered in thick layers of gel stain, spray paint, and epoxy which I had to remove, but as you can see it yielded some gorgeous dark hardwood with striking figure. I don't recognize the species, but it's strong enough without being too heavy, and and has a good hardness.
The neck is a 3 piece "sandwich" with the outer pieces cut from the same board, then one of them flipped over before joining it all together; this technique helps increase stability of the neck, as any way the wood may want to warp is cancelled out by the other half being flipped, thus wanting to warp in the opposite directions.
The central neck piece is maple salvaged from a discarded coffee table in Massachusetts, while the outer pieces seem to be mahogany, from a small cache of wood that was donated to me by a friend in Virginia when their relative, who made rifles with it, passed away. So I always get some joy to think this wood was going to be a weapon, but instead will now make music!
Do note that in carving the maple, a couple dark spots in the wood revealed themselves. These are natural marks and are entirely cosmetic (don't affect strength or smoothness to the touch), but I want to make sure you know they're there!
The fingerboard is a wood called katalox, which is not only much more sustainable than ebony, it is actually slightly harder and more dimensionally stable.
The chinrest and tailpiece are carved from a scrap of mango I got while visiting a sustainable building center in Costa Rica.
I know it's silly, but I like to think this all somehow means the violin is full of stories to tell, from where and what it's been before; full of music for a player to bring out.
I also have a listing up for a "sister" to this one, which I made from the same woods. The grain patterns on the body are quite different, so maybe take a look and see which one you like best!
I'm new to Brazil (grew up in the US, then lived in Germany for a while), trying to get my instrument-making off the ground here. Thank you for taking a look at my work!
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